URGENTE Vizinho conta toda verdade foi eu que…ver mais
A publicação que desencadeou uma corrida contra o tempo
A manhã em Itumbiara já não tinha o mesmo som. A rotina tranquila da cidade do sul de Goiás foi abruptamente interrompida por uma tragédia que atravessou portas, invadiu lares e se espalhou como um sussurro assustado pelas ruas. O caso aconteceu em um apartamento do Condomínio Paraíso e envolveu o então secretário municipal de Governo, Thales Naves Alves Machado, e seus dois filhos, ainda crianças. Em poucas horas, o nome dele estava em todos os cantos — das conversas nas padarias aos grupos de WhatsApp, das rádios locais às rodas silenciosas formadas nas calçadas.
Segundo informações divulgadas pela jornalista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles, testemunhas relataram que tudo começou com uma postagem inquietante nas redes sociais. No texto, Thales indicava a intenção de tirar a vida dos filhos e, em seguida, a própria. A mensagem, lida por vizinhos e conhecidos, soou como um alarme impossível de ignorar.
O desespero tomou conta do prédio. Moradores decidiram agir imediatamente. Subiram até o apartamento numa tentativa aflita de impedir o que temiam ser iminente. Foi uma corrida contra o tempo, marcada por batidas na porta, gritos e a esperança de que ainda houvesse chance de evitar o pior.
Quando finalmente conseguiram entrar, o cenário era devastador. Thales estava sobre a cama, com uma arma de fogo posicionada sobre o corpo. No mesmo quarto, estavam os dois filhos, ambos feridos. Mesmo em choque, alguns vizinhos tentaram prestar socorro enquanto acionavam o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou rapidamente e iniciou os primeiros procedimentos ainda no local.
Os meninos, identificados como M.A.M., de 12 anos, e B.A.M., de 8, foram levados ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho em estado gravíssimo. O mais velho não resistiu após dar entrada na unidade. O mais novo chegou a ser transferido para o Hospital Estadual São Marcos, mas também faleceu horas depois. No apartamento, as equipes constataram o óbito de Thales.
Investigação, silêncio e o alerta que ecoa além da tragédia
Durante a perícia, um detalhe chamou atenção: testemunhas relataram um forte cheiro de combustível dentro do imóvel. Dois galões vazios foram encontrados no local. A informação passou a integrar a linha de investigação da Polícia Civil de Goiás, que instaurou inquérito para esclarecer todos os fatos. A arma recolhida — uma pistola Glock G25 calibre .380 — foi encaminhada para análise, enquanto o apartamento permaneceu isolado por horas sob trabalho da Perícia Técnico-Científica.
Horas antes do ocorrido, Thales havia feito publicações mencionando dificuldades no casamento e pedindo desculpas a familiares e amigos. Em outra mensagem, declarou amor aos filhos e desejou bênçãos a eles. Agora, essas postagens integram o material analisado pelas autoridades, que buscam compreender o contexto emocional que antecedeu a tragédia.
Itumbiara, cidade de porte médio onde muitos se conhecem pelo nome, mergulhou em luto. O impacto é ainda mais profundo por envolver alguém da gestão pública. Nas escolas, nos comércios e na própria prefeitura, o assunto domina as conversas, sempre acompanhado de incredulidade e dor.
A investigação segue com coleta de depoimentos, análise de laudos e registros digitais. Enquanto isso, permanece a pergunta que ecoa entre os moradores: como algo assim pôde acontecer?
O caso também reacende um debate urgente sobre saúde mental. Em meio a pressões pessoais e sociais, especialistas reforçam a importância de buscar ajuda profissional diante de crises emocionais. Sinais de sofrimento intenso não podem ser ignorados. A tragédia deixa marcas irreversíveis, mas também um alerta: é preciso falar, acolher e agir antes que o silêncio se transforme em perda.
Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia. Você não está sozinho.