AGORA | Uma fortíssima tempestade de granizo atingiu a cidade de S…ver mais
Chuva Transforma Ruas em Rios e Deixa Itapecerica da Serra em Estado de Alerta
O que era para ser apenas mais uma tarde de domingo, 1º de outubro, rapidamente se transformou em um cenário de apreensão e caos em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Bastaram poucos minutos de chuva intensa para que a Avenida Nove de Julho, uma das principais vias do bairro Parque Paraíso, desaparecesse sob a água. O asfalto sumiu, os carros ficaram ilhados e moradores assistiam, atônitos, à força implacável da natureza.

Vídeos gravados por quem vivia o drama começaram a circular nas redes sociais quase que instantaneamente. As imagens mostram ruas completamente submersas e moradores tentando salvar o que podiam dentro de casa. Na Rua Estados Unidos, o desespero ganhou rosto e voz: uma moradora, em lágrimas, registrou o momento em que a água invadia sua residência. Não era apenas prejuízo material — era o medo, a sensação de impotência e a exaustão de enfrentar o mesmo pesadelo novamente.
E esse detalhe torna tudo ainda mais angustiante: em apenas 17 dias, é a segunda vez que a comunidade enfrenta uma enchente de grandes proporções. Para quem vive ali, a chuva deixou de ser apenas um fenômeno natural. Tornou-se um gatilho de ansiedade, um presságio silencioso de que algo pode sair do controle a qualquer instante.

Enquanto a água avançava pelas ruas, o clima era de incerteza. Até quando essa rotina de perdas e reconstrução irá se repetir? A cada nova nuvem carregada no céu, cresce também a tensão entre os moradores, que já não conseguem distinguir se o som da chuva é apenas água caindo — ou o início de mais um capítulo de destruição.
Rodovias Congestionadas, Córregos Transbordando e o Medo que Paira Sobre a Capital
Os impactos do temporal não ficaram restritos às ruas de Itapecerica da Serra. Na Rodovia Régis Bittencourt, um dos principais corredores que ligam São Paulo ao Sul do país, trechos entre os quilômetros 290 e 28 ficaram alagados. O resultado foi imediato: congestionamentos que chegaram a 13 quilômetros e motoristas presos por horas, sem saber quando conseguiriam seguir viagem. A concessionária Arteris confirmou a gravidade da situação, enquanto a sensação de impotência tomava conta de quem apenas tentava voltar para casa.

Na capital paulista, o alerta também soou alto. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) informou o transbordamento do córrego Morro do S, na Avenida Carlos Caldeira Filho — um local que carrega uma memória dolorosa. Foi ali que, em uma enchente anterior, um casal de idosos perdeu a vida após o carro ser arrastado pela enxurrada. A lembrança da tragédia ainda ecoa entre os moradores, e o medo de que a história se repita paira no ar sempre que a chuva aperta.
A Zona Leste também entrou em alerta. O córrego Três Pontes e o Córrego Mooca apresentaram risco de transbordamento, enquanto a Rua Ataleia, na Penha, ficou completamente tomada pela água. Vídeos mostram lixo boiando e bloqueando saídas, evidenciando que as obras de drenagem realizadas no ano passado não foram suficientes para impedir novos alagamentos.
Durante quase quatro horas, toda a cidade de São Paulo permaneceu em estado de atenção. As zonas Norte e Leste foram as mais atingidas. Áreas de instabilidade, formadas pelo ar quente e úmido, avançaram sobre a capital trazendo não apenas chuva forte, mas rajadas de vento superiores a 50 km/h, além da possibilidade de raios e granizo, conforme alertou a Defesa Civil.
Diante de cenas que se repetem ano após ano, cresce uma reflexão inevitável: até quando a infraestrutura urbana continuará vulnerável diante das mudanças climáticas? As enchentes vão além dos transtornos no trânsito ou dos prejuízos materiais. Elas expõem fragilidades, colocam vidas em risco e alimentam um sentimento coletivo de insegurança.