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Um Clamor que Ecoou na Capela Sistina: o Grito do Papa Contra a Violência

No silêncio solene da Capela Sistina, um apelo atravessou fronteiras, crenças e gerações. No último dia 2, diante de olhares atentos e corações comovidos, o Papa Leão XIV rompeu a formalidade do momento para fazer um pedido urgente — quase um clamor — contra a violência que atinge civis inocentes, especialmente crianças e famílias indefesas. Não foi apenas um discurso. Foi um alerta ao mundo.

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A ocasião era simbólica e carregada de história: uma cerimônia em homenagem ao cardeal Iuliu Hossu, mártir da Igreja Católica e figura marcada pela coragem em um dos períodos mais sombrios da humanidade. Entre afrescos que testemunharam séculos de decisões históricas, o Papa conectou passado e presente, lembrando que a violência não é um capítulo encerrado, mas uma ferida ainda aberta.

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Com palavras firmes e emocionadas, Leão XIV não deixou espaço para ambiguidades. Disse não à violência em todas as suas formas. Disse não ao sofrimento imposto aos mais frágeis. E, sobretudo, fez o mundo olhar para aquilo que muitos insistem em ignorar.

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Poucos nomes carregam tanto peso moral quanto o de Iuliu Hossu. Nascido em 1885, ele atravessou guerras, perseguições e regimes opressores sem jamais abandonar seus princípios. Durante a ocupação nazista na Romênia, quando milhares de judeus estavam prestes a serem deportados para a morte, Hossu fez uma escolha que mudaria vidas — e colocaria a sua própria em risco.

Entre 1940 e 1944, no norte da Transilvânia, o cardeal atuou silenciosamente para proteger judeus perseguidos, utilizando sua posição e influência para impedir deportações. Estima-se que milhares de vidas tenham sido salvas graças à sua coragem. Um gesto que hoje sustenta o processo para que ele seja reconhecido como Justo entre as Nações, uma das maiores honrarias concedidas àqueles que enfrentaram o horror para salvar o próximo.

Um Chamado que Não Pode Ser Ignorado

Durante a cerimônia, o Papa recordou que Hossu foi criado cardeal in pectore por São Paulo VI enquanto ainda estava preso, punido por sua fidelidade à Igreja de Roma. Chamou-o de “apóstolo da esperança” e símbolo de uma fraternidade que ultrapassa etnias, religiões e fronteiras.

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O bispo greco-católico Robert Prevost reforçou essa ideia ao afirmar que o exemplo de Hossu é mais atual do que nunca. Em tempos de divisão, ele representou diálogo. Em tempos de ódio, escolheu a generosidade. Em tempos de medo, viveu a liberdade — mesmo que o preço fosse o sacrifício total.

Ao lembrar o sofrimento do povo judeu durante o Holocausto, o Papa Leão XIV destacou o compromisso inegociável da Igreja com a dignidade humana. Segundo ele, conhecer a dor e a marginalização torna impossível permanecer indiferente. “Precisamos de uma sociedade que respeite a dignidade humana como uma exigência fundamental da consciência”, afirmou.

Às vésperas dos 60 anos da Declaração Nostra Aetate, essa mensagem soa como um aviso: o silêncio também pode ser cúmplice. O legado de Iuliu Hossu e o apelo do Papa não são apenas memórias — são convites urgentes à ação.

Em um mundo ferido pela intolerância, a pergunta permanece no ar: o que cada um de nós está disposto a fazer para proteger os vulneráveis e construir pontes onde hoje existem muros?

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